Cibersegurança e fornecedores: sua empresa está preparada?
A relação entre empresas e fornecedores está cada vez mais estratégica. Hoje, praticamente todas as organizações dependem de terceiros para manter suas operações funcionando: desde serviços de tecnologia até logística, manutenção, segurança e atendimento.
Esse ecossistema traz eficiência e agilidade, mas também aumenta os pontos de vulnerabilidade.
Afinal, de que adianta investir pesado em firewalls, antivírus e monitoramento interno se um fornecedor mal gerenciado pode ser a porta de entrada para um ciberataque?
É justamente aqui que entra a importância da cibersegurança na gestão de terceiros. Não se trata apenas de proteger dados, mas de preservar a continuidade dos negócios e a reputação da marca.
Neste artigo, vamos explorar por que a cibersegurança precisa estar no centro da estratégia de gestão de fornecedores, quais os erros mais comuns e como as empresas podem criar uma rede de proteção mais sólida e resiliente.
A relação entre cibersegurança e gestão de terceiros
Toda vez que uma empresa abre suas portas digitais para um fornecedor, ela amplia a sua superfície de ataque.
Isso acontece porque terceiros, muitas vezes, precisam acessar sistemas, bancos de dados, documentos internos ou até mesmo estar fisicamente dentro das operações.
Em junho de 2025, por exemplo, um ataque hacker contra uma empresa de tecnologia que presta serviços a bancos nacionais trouxe esse risco à tona.
O caso mostrou como vulnerabilidades externas podem ter efeitos devastadores. Embora o alvo direto tenha sido o prestador de serviços, os impactos potenciais se estenderam a instituições financeiras de grande porte, evidenciando como brechas em terceiros podem desencadear crises sistêmicas.
A cibersegurança nesse contexto precisa ir além do olhar interno. É preciso entender que fornecedores são parte integrante da cadeia de defesa. Se eles falham, todos os envolvidos ficam expostos.
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Quais exemplos de falhas de segurança em fornecedores?
Apesar da crescente conscientização sobre riscos cibernéticos, ainda são comuns falhas graves no relacionamento com terceiros. Entre elas, destacam-se:
Uso de credenciais fracas ou compartilhadas: um dos erros mais básicos, mas que ainda abre brechas enormes.
Ausência de segmentação de rede: fornecedores com acesso irrestrito a sistemas internos criam riscos desnecessários.
Baixa maturidade em políticas de segurança: muitos terceiros não têm processos estruturados para lidar com ataques.
Falta de monitoramento e auditorias contínuas: sem acompanhamento, vulnerabilidades passam despercebidas até que seja tarde demais.
Essas fragilidades mostram que confiar apenas em “boas intenções” de fornecedores é perigoso. É preciso transformar a cibersegurança em critério decisivo na seleção e no acompanhamento de parceiros.
Por que a cibersegurança é um pilar estratégico?
Não faz muito tempo, a segurança digital era vista como um tema restrito ao setor de TI. Hoje, ela é considerada um pilar estratégico de negócio. E quando falamos em gestão de terceiros, esse pilar ganha ainda mais relevância.
De acordo com o Índice de Preparação para Cibersegurança 2025, divulgado pela Cisco, apenas 5% das empresas brasileiras têm maturidade suficiente para enfrentar ameaças digitais modernas. Mais de 30% já sofreram algum tipo de ataque. Esses números mostram que a vulnerabilidade não é exceção, mas regra.
Falhas de fornecedores podem gerar não apenas prejuízos financeiros, mas também danos reputacionais irreversíveis.
Em um mundo em que a confiança é ativo de marca, perder a credibilidade pode custar mais caro que qualquer multa ou reparação técnica.
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Como fortalecer a cibersegurança com tecnologia
Felizmente, a tecnologia evoluiu para apoiar empresas na proteção contra riscos de terceiros. Algumas ferramentas essenciais incluem:
IAM/PAM (Gestão de Identidade e Acesso): controla quem acessa o quê, reduzindo privilégios desnecessários.
Plataformas GRC/TPRM: ajudam a monitorar riscos de fornecedores de forma integrada.
SIEM/SOAR: sistemas que detectam incidentes em tempo real e automatizam respostas.
Criptografia: Garante confidencialidade, integridade, autenticação e não repúdio dos dados quando aplicado em trânsito e no armazenamento.
Inteligência artificial e machine learning: identificam padrões anômalos de comportamento e aceleram a detecção de ataques.
Essas soluções, quando bem implementadas, não apenas previnem incidentes, mas também oferecem visibilidade e controle sobre toda a cadeia de fornecedores.
Governança e cultura na cibersegurança de terceiros
Mais do que tecnologia, a cibersegurança depende de pessoas, processos e cultura. Por isso, a governança precisa ser estruturada para incluir os terceiros em todos os planos de proteção. Algumas boas práticas são:
- Avaliar a maturidade em segurança da informação dos fornecedores antes de contratá-los.
- Analisar o histórico de incidentes e verificar certificações de conformidade.
- Incluir cláusulas contratuais específicas sobre responsabilidade em caso de falhas de segurança.
- Realizar treinamentos periódicos com fornecedores, reforçando boas práticas.
- Promover auditorias presenciais e fóruns de troca de conhecimento.
Mais do que impor regras, é preciso construir uma cultura de cibersegurança compartilhada.
Quando fornecedores entendem que também são responsáveis pela defesa digital, a rede como um todo se fortalece.
Normas e boas práticas para orientar a cibersegurança
O mercado já oferece diretrizes consolidadas para apoiar empresas na criação de processos mais robustos. Entre as principais, destacam-se:
NIST Cybersecurity Framework (CSF) 2.0: fornece um guia para identificar, proteger, detectar, responder e recuperar de incidentes.
ISO/IEC 27002:2022: estabelece controles e boas práticas de segurança da informação aplicáveis em diferentes contextos, incluindo fornecedores.
Além disso, é fundamental incluir terceiros nos planos de resposta a incidentes. Afinal, não adianta reagir rápido internamente se o fornecedor envolvido não tem capacidade de resposta adequada.
O futuro da cibersegurança na gestão de terceiros
O cenário de ameaças digitais está em constante evolução, e a tendência é que os ataques fiquem cada vez mais sofisticados. Isso significa que as empresas precisarão investir em:
- Monitoramento contínuo da cadeia de fornecedores.
- Automação de processos de detecção e resposta.
- Uso de IA generativa para prever comportamentos maliciosos antes mesmo de acontecerem.
- Alinhamento regulatório com normas mais rígidas, tanto nacionais quanto internacionais.
Organizações que enxergarem a cibersegurança de terceiros como prioridade estarão à frente do mercado. Mais do que se proteger, elas construirão vantagem competitiva baseada em confiança e resiliência.
A gestão de terceiros é um dos maiores desafios da atualidade quando o assunto é segurança digital.
Cada fornecedor que entra no ecossistema corporativo traz benefícios operacionais, mas também aumenta os riscos.
Por isso, a cibersegurança deixou de ser apenas uma função da TI e passou a ser um imperativo estratégico de negócio.
Empresas que tratam o tema de forma preventiva, estruturada e orientada por dados conseguem reduzir vulnerabilidades e garantir continuidade em cenários de crise.
Mais do que cobrar conformidade, é preciso criar uma rede de parceiros engajados na construção de uma defesa digital coletiva. Somente assim será possível transformar a cadeia de terceiros em uma aliada, e não em uma ameaça, para o futuro da organização.